Por que o 5G vai dominar as capitais, mas o LoRaWAN é o rei do interior?
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Imagine gerenciar milhões de dispositivos conectados enviando dados em tempo real. Agora, imagine fazer isso funcionar perfeitamente em uma metrópole como São Paulo e, ao mesmo tempo, em uma fazenda isolada no interior do país. Esse é o grande desafio da Internet das Coisas (IoT) hoje: não existe uma tecnologia única que resolva tudo.
Recentemente, o megaprojeto da Sabesp chamou minha atenção ao anunciar a instalação de 4,4 milhões de medidores inteligentes usando o novo padrão de eSIM SGP.32 e protocolos abertos sobre a rede celular. Isso acendeu um alerta. Se as grandes empresas e capitais estão apostando fichas no ecossistema celular (como o NB-IoT e o 5G), ainda há espaço para tecnologias como o LoRaWAN?
A resposta curta é: com certeza. Mas o segredo está em entender a geografia e a densidade do seu projeto. Vamos entender como essa divisão funciona na prática.
Nas metrópoles, as operadoras de telecomunicações investem pesado na infraestrutura celular. O 5G foi projetado desde o início para suportar o chamado IoT massivo (Massive Machine Type Communications ou MMTC).
Digamos que o 5G massivo consegue conectar até 1 milhão de dispositivos por quilômetro quadrado sem derrubar a rede. Em uma capital saturada de medidores de água, luz, gás, bueiros inteligentes e semáforos, só o 5G aguenta esse tranco sem interferências.
As operadoras instalam antenas 5G em cada esquina. Para elas, ativar o sinal de IoT (como o NB-IoT ou as bandas puras de 5G) nessas antenas existentes custa muito pouco, oferecendo cobertura imediata.
Em capitais, a concorrência entre teles é feroz. Se uma empresa quiser trocar de operadora usando o novo padrão global SGP.32, o sinal das concorrentes (Claro, TIM, Vivo) estará igualmente disponível na rua de cima ou de baixo, permitindo a migração de milhões de chips em nuvem de forma instantânea.
O SGP.32 é um recente padrão da GSMA para o gerenciamento remoto de eSIMs focado em dispositivos de IoT e M2M. Ele permite baixar, ativar e trocar de operadora à distância em aparelhos que não possuem tela ou que contam com recursos limitados de bateria e rede.
Diferente do padrão de consumo comum para smartphones (SGP.22), que exige escanear um QR code ou interagir com uma interface de usuário, o SGP.32 opera de forma automatizada e remota. Além disso, introduz o eIM (eSIM IoT Manager), uma camada centralizada na nuvem, e o IPA (IoT Profile Assistent), que gerenciam os perfis de rede sem depender de comandos complexos via SMS.
Isso facilita atualizar ou trocar a operadora, elimina a necessidade de visitas técnicas ou troca física de chips em equipamentos remotos, economia de bateria, e uso da internet para trocar mensagens com o chip.
No interior, a realidade muda completamente. As operadoras de celular demoram anos para expandir tecnologias novas para cidades pequenas ou áreas rurais, focando o investimento onde há mais clientes pagantes. É exatamente aqui que o LoRaWAN brilha de forma imbatível.
Digamos que você mesmo pode comprar um Gateway LoRaWAN (uma antena de custo acessível), instalá-lo no topo de um prédio, silo ou caixa d'água, e criar a sua própria rede privada. Você se torna a sua própria "operadora".
O sinal de rádio LoRaWAN opera em frequências sub-GHz (baixas). No interior, onde há poucas barreiras e prédios altos, uma única antena LoRaWAN pode cobrir um raio superiores a 2 quilômetros. Com apenas 2 ou 3 antenas, você cobre uma cidade inteira do interior ou uma fazenda gigantesca.
Como a rede é sua, você não paga mensalidade por chip ou por tráfego de dados para grandes operadoras. Se você colocar 50 mil medidores inteligentes em uma cidade pequena rodando em LoRaWAN próprio, a economia em faturas mensais ao longo dos anos é brutal.
Como o sinal viaja longe usando pouquíssima potência, os sensores podem ficar em pastos, poços artesianos ou locais de difícil acesso operando por vários anos sem que ninguém precise ir até lá trocar uma pilha.
Nenhuma das duas anula a outra. A escolha se resume a uma conta matemática e logística: Vá de Celular (NB-IoT/5G) se você precisa de cobertura urbana imediata, alta densidade de conexões, tráfego de dados mais robusto e quer a flexibilidade de gerenciar contratos com grandes operadoras globalmente. Vá de LoRaWAN se você precisa cobrir áreas sem sinal de celular, quer independência total de faturas mensais, tem dispositivos que enviam mensagens muito pequenas (poucos bytes) e precisa que a bateria dure anos.
O futuro da IoT não é sobre escolher a tecnologia "mais moderna", mas sim a arquitetura certa para o lugar certo.
Nós aqui do blogIoT, alvejamos iniciar nossa rede com dispositivos comuns, encontrados no mercado brasileiro ou com valores acessíveis, e ir aperfeiçoando com o tempo. Uma coisa é fundamental, não aceitamos perder pacotes por falha nossa. Por isso tentamos acompanhar e validar todas as situações possíveis até nosso limite. Damos nosso melhor para que a rede funcione com a mesma performance que seria uma operadora de celular de grande porte.
O maior problema aqui no Brasil é a política lenta e mal informada que logo após o avanço da tecnologia LoRaWAN foi infestado de Parceria Público Privada de Iluminação Pública e contratos complexos, favorecendo as empreiteiras que aparentemente é um buraco negro na sociedade.
O mais legal é que as concessões são repassadas para um grupo de empresas que abrem outra empresa e coloca o nome relacionado a Luz. é Luz do Brasil, Luz de [nome da cidade], Fantasmas Luz, etc. Futuramente são estas empresas de Luz que irão te fornecer uma rede montada para adicionar diversos sensores de IoT. Não somente para iluminação.
Assim começa uma concorrência desleal entre as PPP e os verdadeiros profissionais de Telecomunicações. Como já não bastasse ter que usar tecnologia do exterior, agora devemos ver as empreiteiras generalizadas trabalharem com Telecomunicações.
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